terça-feira, 29 de dezembro de 2009
O homem refletindo sobre si mesmo...
A existência humana é radicalmente diferente da vida dos animais. Os animais são levados pela vida, segundo simplesmente o movimento interno de seu dinamismo biológico. A vida não lhes é problemática, pois se encontram, já, sempre, plenamente constituídos em seu ser. Não podem ser mais do que já são. O homem pode ser mais do que aquilo que receber como seu ser, ao nascer. Não nasce pronto, realizado. Por isso, precisa assumir a sua vida como tarefa e responsabilidade sua. Não lhe basta ir vivendo, simplesmente. Precisa assumir o compromisso de ter que ir realizando a sua vida como projeto seu. Sua vida é um "ir-se-dando", como concretização de suas capacidades e potencialidades. Isto, porque o homem é um ser "por fazer-se", um ser que é projeto.
Assim, a existência humana é, em primeiro lugar, o encarregar-me do meu ser, recebido sob minha responsabilidade. É um ir desenvolvendo as potencialidades e capacidades e, neste processo construindo a própria vida. NEste sentido, a existÊncia humana é uma vontade pessoal, assumida, alimentada, desenvolvida. E quando isso não ocorre mais, o homem não vive: vegeta. E é por isso que só o homem pode perder a vontade de viver. E mais: por esta razão, há vidas qualitativamente diferentes: umas vividas mais intensamente; outras, menos.
Em segundo lugar, viver é projetar-se para o futuro. É lutar, preparar, construir um futuro. É propor-se ideais, objetivos, metas e ir em busca de sua realização, de sua concretização. E, neste movimento, ir constituindo a própria vida. O homem é o que ele vai fazendo de si mesmo, de sua vida. E ele sempre pode ser mais, nunca esgota plenamente as possibilidades de realização de sua vida.
Sujeito de realizações, o homem é um ser no mundo. Vive no mundo. Precisa do mundo para realizar sua vida, para caracterizar o que projeta ser. Isto é, o homem sempre se encontra em uma determinada circunstância, num contexto determinado, que é o seu mundo, no qual e a partir do qual vai realizando-se e construindo sua vida. Com efeito, ao nascer, o homem é dado num mundo e submetido as suas leis. Ao mesmo tempo, e ao longo de sua existência, vai enfrentando os obstáculos e desafios que o mundo lhe apresenta. E, nesta atividade de enfrentamento e superação dos desafios que o contexto em que vive lhe apresenta, vai construindo sua própria vida. E mais: vai criando um mundo propriamente humano - o mundo cultural - segundo seu modo de ser.
No mundo, o homem compreende-se como distinto do mundo. Diferente dos animais, que nele vivem totalmente imersos e submetidos às suas leis, o homem vive no mundo e com o mundo. Vive situado face ao mundo. É um ser consciente. Isto é, é o único ser capaz de compreender o mundo e de compreender-se a si mesmo. É capaz de dizer o que as coisas são e qual o significado da sua vida. É capaz de compreender o contexto em que vive e, a partir disso, escolher o que quer ser, como deve agir, como vai realizar a sua vida. E, por isso, pode assumir com responsabilidade sua vida como tarefa e projeto seu.
Como ser consciente, o homem, e somente ele, é capaz de tomar distância frente ao mundo e de tomá-lo como objeto de sua compreensão; a partir disso, é capaz de agir conscientemente sobre o mundo e transformá-lo de acordo com essa compreensão. E neste processo, que é a própria vida humana entendida como práxis, o homem vai atualizando suas potencialidades e capacidades, e constituindo a sua vida. A práxis, unidade indissolúvel entre ação e reflexão, é a atualidade e manifestação do ser do homem. Com efeito, é pela práxis que o homem vai desenvolvendo suas potencialidades e realizando sua vida como projeto. E, neste sentido, a práxis é simplesmente estar sendo homem.
Por outro lado, a vida humana compreendida como práxis manifesta que o homem é constitutivamente um ser de relações. Relações que constituem sua própria vida, aquilo que ele é. Por exemplo: alguém só é pai na medida em que está em relação com (ao ter) um filho. Sem filho, ninguém pode ser pai. E a relação é de paternidade que constitui alguém como pai.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Conclusão do Projeto PARTICIPAÇÃO SOCIAL
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Conversando com Manfredo
acesse o vídeo nos eguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=X4fCqWR3TDA
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O que é o Homem? A grande questão filosófica.
“A reflexão sobre nós próprios, reflexão sempre renovada que o homem faz para chegar a compreender-se” Bernar Groethuysen
“Explicação conceitual da idéia do homem a partir da concepção que este tem de si mesmo em determinada fase de sua existência.” Landsberg
Desde o início da filosofia na Grécia antiga que a questão sobre "o que é o homem?" vem instigando os filósofos a responderem tal questionamento no decorrer do tempo. Sócrates afirmava "conhece-te a ti mesmo" iniciando o estudo do homem filosoficamente, ou seja, buscando a essência do ser humano.


Para Platão a alma é divida em três partes:
- 1 Racional: cabeça; esta tem que controlar as outras duas partes. Sua virtude é a sabedoria ou prudência (phrónesis).
- 2 Irascível: tórax; parte da impetuosidade, dos sentimentos. Sua virtude é a coragem (andreía).
- 3 Concupiscente: baixo ventre; apetite, desejo, mesmo carnal (sexual), ligado ao libido. Sua virtude é a moderação ou temperança (sophrosýne).
Platão acreditava que a alma depois da morte reencarnava em outro corpo, mas a alma que se ocupava com a filosofia e com o Bem, esta era privilegiada com a morte do corpo. A ela era concedida o privilégio de passar o resto dos seus tempos em companhia dos deuses.
Por meio da relação de sua alma com a Alma do Mundo, o homem tem acesso ao mundo das Idéias e aspira ao conhecimento e às idéias do Bem e da Justiça. A partir da contemplação do mundo das Idéias, o Demiurgo, tal como Platão descreveu no Timeu, organizou o mundo sensível. Não se trata de uma criação ex nihilo, isto é, do nada, como no caso do Deus judaico-cristão, pois o Demiurgo não criou a matéria (Timeu, 53b) nem é a fonte da racionalidade das Idéias por ele contempladas. A ação do homem se restringe ao mundo material; no mundo das Idéias o homem não pode transformar nada. Pois o que é perfeito, não pode ser mais perfeito.
A tradição representa um elemento vital para a compreensão da filosofia aristotélica. Em certo sentido, Aristóteles via o próprio pensamento como o ponto culminante do processo desencadeado por Tales de Mileto. A filosofia pretendia não apenas rever como também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias anteriores. Ao mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar as críticas, revisões e novas proposições.
Aluno de Platão, Aristóteles discorda de uma parte fundamental da filosofia. Platão concebia dois mundos existentes: aquele que é apreendido por nossos sentidos, o mundo concreto -, em constante mutação; e outro mundo - abstrato -, o das idéias, acessível somente pelo intelecto, imutável e independente do tempo e do espaço material. Aristóteles, ao contrário, defende a existência de um único mundo: este em que vivemos. O que está além de nossa experiência sensível não pode ser nada para nós.
A Psicologia é a teoria da alma e baseia-se nos conceitos de alma (psykhé) e intelecto (noûs). A alma é a forma primordial de um corpo que possui vida em potência, sendo a essência do corpo. O intelecto, por sua vez, não se restringe a uma relação específica com o corpo; sua atividade vai além dele.
O organismo, uma vez desenvolvido, recebe a forma que lhe possibilitará perfeição maior, fazendo passar suas potências a ato. Essa forma é alma. Ela faz com que vegetem, cresçam e se reproduzam os animais e plantas e também faz com que os animais sintam.
No homem, a alma, além de suas características vegetativas e sensitivas, há também a característica da inteligência, que é capaz de apreender as essências de modo independente da condição orgânica.
Ele acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem seria ativo.
Evolução do pensamento do homem ao longo dos séculos
- Antiguidade: a Antiguidade centrava-se em torno do “cosmos” ou da natureza em si estática e encarava o homem em conexão com ela.
- Idade Média: o homem era membro da “ordem” emanada de Deus.
- Idade Moderna: firma o homem sobre si mesmo, mas predominantemente como “sujeito” ou razão, de sorte que esta, como sujeito transcendental ou razão universal panteísticamente absoluta, acabou por subjugar e volatilizar o homem, convertendo-o em momento fugaz do curso evolutivo do absoluto.
- Pensamento contemporâneo: o homem tomou consciência da inanidade de tais construções e verificou haver perdido tudo, incluindo a própria personalidade e que principalmente, depois de haver sacrificado a vida do conceito abstrato ilusório, se encontrava agora perante o nada.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
A idéia de "tirar vantagem em tudo" está muito presente na política brasileira
A corrupção no poder público brasileiro é algo entranhado e difícil de combater, apesar de existirem vários projetos na Câmara Federal e que estão engavetados. Agora vem as perguntas que não querem calar: O que fazer para combater a corrupção no Brasil? Como nós, simples cidadãos podemos ajudar nesse combate? Que mecanismos legais podemos utilizar para frear ou diminuir essa visão na política brasileira de sempre "tirar vantagem em tudo"? Como escolher bem os nossos representantes políticos?
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
O legado da Roma antiga para o ocidente
Pesquise sobre a fundação de Roma, a República romana, o Triunvirato e a formação do Império Romano e identifique criações genuinamente romanas que nos foram deixados e hoje formam o que chamamos de ocidente.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
A sociedade capitalista e o aumento da desigualdade social
O sistema capitalista atual, na sua opinião, promove a melhoria das condições sociais da sociedade ou, pelo contrário, aumenta a desigualdade social?
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Mudança de paradigma entre ética e política em Maquiavel
Mas essa visão grega da relação necessária entre ética e política será modificada no início da modernidade com Nicolau Maquiavel (1469-1527). Nascido em Florença, Itália, Maquiavel foi um dos grandes responsáveis pela noção moderna de poder. Em Maquiavel também encontramos uma renovação do sentido e da relação entre ética e política. Desta forma, muito folclore se construiu em torno de seu nome e de sua pessoa, principalmente pela interpretação precipitada que se fez muitas vezes de seu pensamento. Conforme o texto de RUSSEL: "é costume sentir-se a gente chocada por ele, e não há dúvida de que, às vezes, ele é realmente chocante. Mas muitos outros homens também o seriam, se fossem igualmente livres de hipocrisia" (RUSSEL, 1967, p. 20). Maquiavel foi compreendido como alguém imoral e desprovido de quaisquer valores. Por isso o termo "maquiavélico" é pejorativo. Mas, seria Maquiavel digno dessa fama? O que ele pretendia?
Maquiavel choca por fazer uma análise do homem considerando-o a partir de uma de suas facetas, a do egoísmo. Se para Aristóteles e para o pensamento greco-cristão no geral o homem buscava a vida em sociedade, o bem viver como algo natural, para Maquiavel "os homens tendem /.../ à divisão e à desunião." (PINZANI, 2004, p. 19)
Maquiavel era um homem de seu tempo, do Renascimento. Homem de idéias políticas, ele procurou entender a natureza e os limites do poder político. Maquiavel contemplou uma realidade; a realidade da sua Itália, dividida, fragmentada em diversos principados e ducados. Numa constante briga pelo poder e, inevitavelmente alternâncias constantes dos governantes, a Florença de Maquiavel refletia o que ocorria também com as demais cidades italianas importantes do período. Para ele não se apresentava logicamente o idela cristão, mas sim algo que lhe seria entendido como próprio do homem, a luta pelo poder. Por isso, os homens mentiam, matavam e julgavam-se acima da moral.
Contudo, Maquiavel considera a necessidade de governantes bons e virtuosos. Para ele a diferença está em que a bondade e a virtude não pertencem à natureza humana do governante, mas sim resultam da sua compreensão e atuação sobre o real. Sem preocupar-se em desenvolver teorias, como fizeram outros pensadores, Maquiavel avalia a realidade e "interpreta os seus escritos como compêndios de conselhos práticos e de instruções para a ação." (PINZANI, 2004, p. 16) Por isso, "influenciar a realidade, e não desenvolver teorias é o seu propósito." (PINZANI, 2004, p. 16)
Ao contrário dos manuais que indicavam como devia agir um soberano, obras comuns na Idade Média e no Renascimento, o verdadeiro propósito de sua obra O Príncipe é a exortação para se tomar a Itália e libertá-la das mãos dos bárbaros, como pode ser constatado no capítulo final da mesma: depois de considerarmos tudo o que vimos até aqui, de ter refletido sobre se o momento histórico não seria propício para termos um novo monarca na Itália, se não seria agora a oportunidade para que um homem prudente e capaz introduzisse no país uma nova forma de governo, que honrasse e beneficiasse o povo, parece-me que são muitas as circunstâncias que concorrem para a subida ao trono de um novo soberano; de fato, não sei de nenhuma outra época mais oportuna para tanto, / .../ E embora já tenhamos tido algum vislumbre de esperança, fazendo pensar que Deus teria enviado alguém para redimi-la a sorte o derrubou no ponto culminante da sua carreira, agora, quase sem vida, a Itália espera por quem lhe possa curar as feridas e ponha fim à pilhagem na Lombardia, à capacidade e à extorsão no reino de Nápoles e na Toscana, curando-as das chagas abertas há tanto tempo. Pede a Deus que lhe envie alguém capaz de libertá-la dessa insolência, dessa bárbara crueldade. Está disposta a seguir uma bandeira, desde que alguém a empunhe. (MAQUIAVEL, 2005, p. 150-151).
Questões para debate...
1. Qual a mudança de paradigma na relação entre ética e política dos gregos antigos e de Maquiavel?
2. Como entendemos o que é poder? O que significa poder para a sociedade?
3. Há diferenças entre as concepções de poder nos dias de hoje e de antigamente? O que tem a ver política e poder?
4. Quais meios os políticos atuais usam para chegarem ao poder? Eles são válidos? Por quê?